Por Adolfo Riccio
Foto Ilustração
Salvador, 04/05/2009 - No bairro do Comércio em Salvador, bancas e tabuleiros enfileirados nas calçadas, oferecem um grande número de produtos vendidos de maneira informal pelos camelôs espalhados na região.
Os produtos variam entre, confecções, eletrônicos e até alimentos perecíveis, como frutos do mar, biscoitos, frutas, requeijão e até carnes defumadas.
Joselito dos Santos trabalha há 25 anos com sua banca de produtos eletrônicos, na Avenida Estados Unidos. Lá tem de tudo: calculadoras, relógios, fones, controles remotos, e até multímetro (aparelho para medir corrente elétrica) que custa R$80, se fosse na loja custaria acima de R$100. “Compro meus produtos aqui mesmo na cidade e vendo por um preço mais barato, que é o que atrai o cliente”, destaca.
Um pouco mais à frente, na Rua da Bélgica, o cheiro é atrativo para quem passa pela barraca de Antonio Pedro. Ele vende carne do sol e lingüiça defumada, além de requeijão, mel, doce de banana e biscoitos, que ele adquire em diversos municípios do Estado, como Itororó, Maragogipe, Jacobina, Riachão do Jacuípe, entre outros.
Ele trabalha com esses itens na região há três anos e atesta que seus produtos são de boa qualidade. Os mais vendidos são a carne do sol, carne defumada e o requeijão. “Aqui compra pobre e compra rico. A carne mesmo é vendida de 50g a 1kg ou mais, dependendo das condições do cliente, só não pode ficar sem levar”, afirma.
Carlos Batista que trabalha no Comércio, diz que sempre compra na banca de seu Antonio, “Já conheço ele e sei que a carne é de boa qualidade, toda sexta-feira ele já sabe, levo minha carne do sol para preparar no final de semana”, enfatiza.
Alan da Cunha Rocha de 23 anos, diz estar nesse ramo por não ter uma profissão e pretende mudar, ele diz não querer continuar como ambulante, Alan vende biscoitos recheados há um ano e dois meses e chega a ganhar cerca de R$600. “To aqui porque não tem jeito, e sei que aqui não é futuro para ninguém, outras pessoas se iludem só porque dá para tirar uma grana legal e se acomodam, eu não. Eu quero mudar!” ressalta.
A falta de emprego parece ser o fator decisivo para aqueles que tentam de alguma forma sobreviver sem buscar meios ilegais. Washington Luis da Silva, ambulante há 15 anos vende confecções masculinas para o público adulto e infantil. Em uma lona estendida sobre o chão, ele oferece bermudas, cuecas, meias e bonés, todos os produtos ele diz trazer de Aracaju, por lá ter um preço mais em conta para revenda. “Já estou com 45 anos e vou continuar trabalhando com confecções, até quando der”, diz.
A ajudante de limpeza, Gilmara Ferreira, que comprava dois pares de meias para seu filho, diz que sempre que pode compra nos ambulantes. “Compro aqui por ser mais barato, na Americanas eu comprei uma igualzinha a essa e mais caro!”, referindo-se as meias.
Toda essa boa vontade e facilidades dos ambulantes na verdade é uma forma de não ficar com a mercadoria, e sim despachá-la, nem que seja a preços menores ou poucas quantidades. O negócio é não sobrar peças para o dia seguinte.