Salvador, 03/02/2010 - O noticiário da última semana estampou, com destaque, a gênese de uma possível campanha contra a construção da ponte Salvador-Itaparica, encabeçada por ninguém menos do que João Ubaldo Ribeiro, o ilustre e genial escritor / intelectual baiano natural de Itaparica que mora no Leblon, bairro chique do Rio de Janeiro.
João Ubaldo orgulha a Bahia e o Brasil mundo afora. É uma daquelas figuras lendárias, que, tamanha a importância de sua obra, corporifica-se num estandarte brasileiro no globo terrestre. Ele – assim como Dorival Caymmi, Ruy Barbosa, João Gilberto, Jorge Amado e outros – está acima do bem e do mal. Mas não para promover o atraso baiano. Num regime democrático, todos têm o direito de expor as suas opiniões de forma responsável e participativa – afinal, o Brasil lutou tanto por essa conquista... Mas ninguém tem o direito de se utilizar da força da imagem para fazer campanha contra uma obra fundamental à infra-estrutura de um Estado como a Bahia, pobre e carente de empreitadas dessa envergadura.
A ponte aproximaria o longínquo oeste baiano do sul e extremo sul, além de movimentar a estagnada economia da ilha; promoveria a dinamização do turismo baiano e contribuiria para o desafogamento da BR-324, com a aproximação de Salvador e adjacências de vários outros municípios do Recôncavo Baiano e, a reboque, do sul do Estado. Criaria um novo corredor de escoamento produtivo, possibilitaria a expansão urbana da já “inchada” Salvador e serviria aos interesses de outros Estados nordestinos (porque não dizer?).
Tentar barrar uma obra infra-estrutural de tamanha envergadura com argumentos do tipo “impacto ambiental e social” e “outras prioridades” ressoa com superficialidade. O progresso sempre traz conseqüências danosas à sociedade, que, contudo, podem ser controladas, administradas e até evitadas. O que não se pode mais é pensar a Bahia contemporânea como aquela província bucólica, da água de côco na rede de Caymmi e sempre à sombra de outras praças nacionais, como Rio de Janeiro e São Paulo. Sim, a Bahia é viável, e só sairá do atraso com a implantação de obras estruturantes como a ponte Salvador-Itaparica, por exemplo.
Some-se a tudo isso um fato interessante: João Ubaldo, seguindo a trilha dos artistas baianos de sua geração, mora na Cidade Maravilhosa, sendo que lá, coincidentemente, há uma ponte semelhante à projetada para a Bahia (a ponte Rio-Niterói). Longe de ser crime morar no Rio de Janeiro – viva a liberdade de locomoção! Mas talvez, por isso, o nosso ilustre João desconheça o martírio diário imposto, à população, pela TWB (empresa responsável pela travessia São Joaquim–Bom Despacho em embarcações não tão confortáveis quanto o bairro carioca do Leblon). Certamente, se o nosso João morasse na Bahia, teria a oportunidade de presenciar as imensas filas formadas em feriados e datas festivas, que, muitas vezes, chegam a alcançar o bairro da Boa Viagem, na Península Itapagipana...
Isso tudo – é lógico – para o caso de a construção da ponte, um dia, sair do papel, já que as obras públicas baianas têm o dom incrível do empacamento (vide, por exemplo, a construção do metrô de Salvador).
Deixa a Bahia crescer, João Ubaldo!
é isso aí... a idéia maluca de João ganhou adptos que nada entendem de Bahia, como Chico Buarque. Loucura total...
Pedro SantanaJoão Ubaldo eh muito engraçado. Se ele vivesse na Ilha ia entender a necessidade da ponte. Muitas pessoas ver nesse projeto uma oportunidade de sobrevivencia. É facil falar qdo estamos londe so de espectador. Manda ele morar na ilha para saber mais..
Luckas Miller