Por Wallace Oliveira
Foto Vinícius Lima
Uma guerreira. Assim poderia ser denominada Wil Carvalho, cantora de voz potente e inconfundível. Há 22 anos na estrada, a artista foi condecorada como “Cantora Revelação” do Carnaval de 1998. Já foi vocalista das bandas Reflex’us e Tiete Vip’s e hoje segue em carreira solo.
Em entrevista exclusiva concedida ao Oxente, Wil falou da carreira, das parcerias, das lutas e de assuntos polêmicos, como racismo e relação com estrelas da música baiana (sobretudo com Ivete Sangalo).
OxenteSalvador (OS) – Você conseguiria resumir a trajetória profissional de Wil Carvalho em poucas linhas?
Wil – Desde 1988 sigo de mãos dadas com a música. De lá para cá, gravei um CD intitulado “Mulher do Vento”, participações nos CDs “Bahia de Todas as Letras” e “Jorge Amado” (ambos produzidos por Roberto Santana) e “A verdade de Nelson Rufino” (um dos grandes poetas-compositores da música baiana), e, por fim, gravei meu DVD ao vivo no Teatro ACBEU, em Salvador. Luta, trabalho, algumas decepções e muita perseverança! É essa a minha trajetória!
OS – Quais são as suas referências musicais?
Wil – Minha MÃE é a minha maior referência; ela sempre gostou de ouvir e nos transmitir grande energia musical! Cresci ouvindo grandes artistas como Miltinho, Roberto Carlos, Elis Regina, Clara Nunes, Bezerra da Silva... era uma diversidade musical incrível! Meu pai e minha MÃE (sim, sempre com todas as letras maiúsculas, pois é o que ela representa pra mim) cantavam (não profissionalmente), tinham lindas vozes e nos inspiraram a seguir esta carreira. Tanto sim que eu e meus irmãos Wel (o responsável por eu estar na música) e Wilson Carvalho também seguiram esta carreira. Meus outros irmãos Wilcélia e Wilcílio também cantam, mas nada profissional.
OS – Certa feita, uma jornalista baiana perguntou a Ivete Sangalo se o “machismo-sexismo” da sociedade brasileira era o responsável por cantoras tão boas quanto ela – como você e Márcia Short – não estourarem em suas carreiras. Você acha que esse “machismo-sexismo” realmente impede você de explodir nacionalmente? E como fica a questão do racismo – ele também existe no mundo da música?
Wil – Bem, que o racismo existe, todos sabemos... mas o que acredito é que não podemos nos prender a questões que podem se tornar menores, quando a gente acredita em coisas tão maiores quanto levar o que se sabe fazer para o mundo! As lutas racial, econômica, religiosa existem e existirão ainda por muito tempo, infelizmente, mas sei que somos maiores que esses sentimentos e podemos driblar os preconceitos com luta, trabalho, talento e, acima de tudo com Deus. Acredito também no merecimento: o que nos resta é administrar o que merecemos de forma digna. Quanto ao reconhecimento nacional, ouvi de uma cantora uma frase que achei super inteligente: “Existem as celebridades e os artistas...” E cada um segue na sua praia... Desejo é que Deus me permita seguir fazendo o que aprendi e gosto de fazer que é cantar. Este é o meu trabalho.
OS – O que falta para Wil Carvalho tornar-se um nome nacionalmente conhecido? Seria um bom empresário?
Wil – Em primeiro lugar o merecimento (risos). Em seguida um empresário que acredite no trabalho, na artista, acho que são princípios fundamentais. Hoje em dia o mercado está abarrotado de grandes nomes e grandes talentos. O principal é que possamos ter oportunidades. Com isso produzimos, damos trabalhos para outras pessoas e todos seguem seus caminhos.
OS – Você tem, na sua discografia, 2 discos e 1 DVD. O CD “Wil Carvalho e Banda” é mais intimista; já “Mulher do Vento” é bastante diversificado, tendo em Saul Barbosa, Jorge Portugal e Gerônimo seus alicerces. Jorge Portugal, inclusive, te denomina como “negramulhersolar que tem o dom do encantamento e todos os pássaros na voz”. De onde nasceu essa paixão artística? E qual a importância desses nomes na sua vida musical?
Wil – (risos) Essa pergunta deveria ser feita para o Jorge, né? Permita-me dizer que todos os compositores me alicerçam. Bem, caminho na música há muitos anos e nos idos de 1992 para 1993 conheci pessoas que gostaram muito do meu timbre de voz. Pessoas como Evanice (jornalista Lady Eva) e muitas outras... dentre elas estava meu querido poeta Jorge Portugal e sua esposa Rita Vieira. Ele gostou de meu timbre, de minhas interpretações e acompanha o desenrolar de minha carreira sempre que possível, me dando oportunidades de mostrar o que aprendi ao longo dos anos, seja através do programa que apresentava na TV, o Aprovado, seja me indicando para vários outros eventos. Jorge Portugal é uma pessoa especial, sensível, gentil e vê através da alma. Seria muito bom que pessoas como ele se multiplicassem pelo mundo afora. Saul Barbosa foi a pessoa que teve o comando para mostrar uma Wil Carvalho madura e aproveitou todos os recursos para fazer um belo trabalho; recursos importantes, que nos ajudaram a produzir um trabalho simples, dedicado e cheio de muita energia positiva. Ao longo desses anos são muitos nomes, pessoas, situações que fizeram a diferença para mim e que fortaleceram meu trabalho e a minha vida.
OS – No Carnaval de 2003, você foi convidada por Ivete Sangalo para cantar no circuito Barra-Ondina, no trio elétrico. Qual a sua relação com as grandes estrelas da música baiana? Rola muita amizade e parceria ou os bastidores são recheados por competições acirradas?
| Wil – A minha relação com as grandes estrelas é distante... Tive a oportunidade de estar com Ivete, fiz um comentário que gostaria de cantar um dia com ela e imediatamente ela marcou para que cantássemos no carnaval e estava muito próximo... (risos) Foi muito legal vê-la rasgando seda para mim (e eu pra ela também... risos) no camarim de um evento desses de pré-carnaval. Ivete é especial! Achei que ela estivesse brincando, mas não estava. Poucos dias depois a produção dela me ligou marcando para que eu ensaiasse com os músicos e foi super legal! Cheguei no trio elétrico e a produção de Ivete (super competente) me colocou a princípio no camarim dela, para que eu me arrumasse, quando ela estava chegando, eles foram avisados através do rádio e me pediram com muito jeito que eu fosse para o outro camarim, pois ela iria se trocar. Eu estava com minha amiga e irmã Silvana Dias (testemunha... risos), que é a pessoa responsável por todos os meus trabalhos de comunicação visual. Bem, fomos para o camarim sugerido e qual não foi nossa surpresa quando ao baterem à porta e nós atendermos era D. Ivete Sangalo perguntando o que eu estava fazendo ali e pedindo que eu pegasse minhas coisas e fosse junto com ela para o seu camarim... subimos antes, fizemos uma oração linda com a banda e equipe e descemos para esperar a grande hora... Depois em cada lugar que passávamos e que existia pontos de TV/rádio/jornais, ela fazia questão de me apresentar e de uma forma muito carinhosa! A verdade é que muitos de nós precisamos buscar a humildade. Ivete é uma grande estrela e procura ser tranqüila, simples, serena... |
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