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Sarajane abre a roda da polêmica em entrevista exclusiva ao Oxente Salvador

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Por Wallace Oliveira
Foto Divulgação

Salvador, 08/01/2010 - Sarajane Tude, ou simplesmente Sarajane – como ficou conhecida nacionalmente – começou a cantar aos 12 anos de idade e, aos 14, já estava a bordo do trio Tapajós, no Carnaval de Salvador, ao lado de Luiz Caldas (então como guitarrista). Aos 15 anos, como atração do trio elétrico Novos Bárbaros, ganhou o troféu de melhor cantora do Carnaval. Mas foi em 1986 que Sarajane explodiu, para todo o Brasil, com o hit “A Roda”, merecendo até clip no então badaladíssimo programa Fantástico, da Rede Globo. A partir de então, a artista passou a marcar presença no também badalado programa global Cassino do Chacrinha, fazendo jus a elogios constantes do Velho Guerreiro.

Ao todo, Sara gravou 14 álbuns e ganhou discos de ouro, platina e diamante pelas gravadoras EMI Odeon e Polygram (Universal), dentre outras. No auge do sucesso, chegou a ser capa da revista masculina Playboy, em 1990.

Mas, como os tempos são outros, a cantora já não aparece tanto na mídia, a ponto de anunciar, recentemente, que está sendo esquecida. Mesmo assim, não deixa a “peteca cair” e vem se reinventando e mergulhando de cabeça em novos projetos: além de gravar 3 CDs entre 2003 e 2005 ("Bárbara", "República das Bananas" e "República Latina"), preside uma ONG que promove a integração de crianças com atividades artísticas (a “Acasa”) e promete um grande Carnaval em 2010, incluindo participação no Camarote Expresso 2222, de Gilberto Gil.

Sarajane recebeu o OxenteSalvador para falar sobre vários assuntos em entrevista exclusiva, na qual alfineta Carla Perez e a nova fase do axé music. Confira:

OxenteSalvador (OS) – Você foi a pioneira feminina do “axé music” em âmbito nacional, chegando a estrelar clip do hit “A Roda” no programa global Fantástico (1987), além de ser figurinha carimbada no antológico Cassino do Chacrinha, da Rede Globo, e nas paradas de sucesso dos anos 80. Chegou até a posar nua para a revista masculina Playboy, em 1990. Diante de tanto sucesso, resta uma dúvida para muitas pessoas até os dias de hoje: porque Sarajane sumiu da mídia?

 


Sarajane – A tecnologia avança... eu comecei muito criança a cantar no trio e minha vida parou. Precisava estudar, ficar um pouco comigo. Quando retornei, fiquei algum tempo fazendo muitos shows e carnavais fora de Salvador. Hoje, existe uma grande massa que cuida dos shows como indústria, e é muito difícil conseguir atravessar esta barreira. Mas, o que seria a mídia? Outdoors nas ruas de Salvador? (risos) Porque, há dois meses, fiz o programa do Sílvio Santos e gravei para 150 países na Record Internacional...

OS – Dizem as “más línguas” que sua relação com o precursor do “axé music”, Luíz Caldas, não era boa. O que realmente acontecia nos bastidores?
Sarajane –
Mentira (risos)! Luiz é muito legal e tem a sua vida.

OS – Reza uma lenda, na Bahia, de que você se considera a verdadeira Rainha do Axé, desbancando Daniela Mercury do posto. Isso é verdade? Existe rivalidade entre você e Daniela? Você já foi vista no camarote dela, num determinado Carnaval...
Sarajane –
Outra mentira. Acho Daniela muito competente. Fizeram várias coisas chatas para tentar criar essa polêmica. Até um programa de TV me entrevistou e fez a pergunta, e eu, inocentemente, comentei um fato sobre uma fã que me aconselhou a dizer: “quero o meu trono de volta porque sou a Rainha do Axé”!. Daí, a emissora de TV colocou a matéria como se eu tivesse falado isso. Ridículo! Fui Rainha de tudo e acho tudo isso baboseira; o Chacrinha me deu esse título porque eu levava todos os artistas da Bahia para o programa dele, mas as Rainhas do Axé são a Bahia e o povo.

OS – Existe, entre Sarajane e as grandes estrelas da música baiana, algum tipo de contato ou parceria? Como é a sua relação com a atual indústria do “axé music”?
Sarajane –
Faço forró há oito anos, não conheço muita gente de hoje mas, em geral, os admiro muito. Falam bastante de mim: Cláudia Leitte e Ivete (Sangalo) sempre dizem que são minhas fãs...

OS – Em participação num programa de TV, no ano passado, você falou que existiam “artistas”, na Bahia, que não poderiam sequer ser considerados como tais. Quem seriam eles? Você tem mágoa de alguém – de quem e porquê?
Sarajane –
Dentre outros, a Carla Perez. Quanto a mágoas, não tenho de ninguém, mas cantar é algo sublime, portanto não admito que as pessoas acordem de manhã e digam que vão virar cantores e já se tornem “cantores”! Artista já nasce artista.

OS – Recentemente, Sarajane afirmou, em entrevista, que não era mais lembrada e que talvez abandonasse o Carnaval já a partir de 2011. Isso é verdade?
Sarajane –
É, sim! Por conta da falta de respeito me colocam como artista antiga. Isso é de uma ignorância e de uma incompetência sem tamanhos, porque é uma vergonha que artistas que valorizam a Bahia e a cultura baiana (não somente eu, como vários) não estejam dentre os outros! O mundo foi criado para todos. As pessoas têm que aprender a dividir e nunca a destruir! Vamos abrir a roda, enlarguecer, e todos trabalhando e valorizando, aí sim fica bonito! (risos)

 
OS – Como você analisa a atual fase do “axé music”, caracterizada pelo domínio do pagode e pela queda nas vendas e em execução?
Sarajane –
Acho que o axé parou, tudo agora é pop e música eletrizante sim, mas levadas ao pop. O axé está diferente; tanto é assim que o samba, o forró e outros estilos vêm crescendo a cada dia, porque o povo gosta é de essência.

OS – A ONG mantida por você (Associação Criança na Arte Sarajane, a “Acasa”) vem enfrentando sérias dificuldades financeiras. Como tem feito para superar a crise?
Sarajane –
A ONG vem passando por momentos que só Deus sabe... mas, ainda assim, inaugurei o espaço cultural e um bar que, na sexta, terá show do Wilson Carvalho e, no sábado, de Savatin. E mais: está começando a acontecer um espaço para 200 pessoas com vista para o mar.

OS – Como será o seu Carnaval em 2010?
Sarajane –
Em altíssimo astral! A bordo de trio independente, vou sacudir os foliões no circuito do Centro, na quinta-feira a partir das 20:00h, em homenagem ao Novos Bárbaros, na sexta no Camarote Unibanco e no sábado no trio dos 60 anos, com Moraes Moreira, grupo Honolulu e Wal Macambira. Domingo, às 22:00h, estarei estremecendo o palco do bairro de Cajazeiras. E, na terça-feira de Carnaval, às 16:00h, estarei no “Projeto Axé Anos 80” no circuito do Centro, dividindo o palco com Ademar e Virgilio, fechando meu Carnaval, ainda na terça-feira, cantando e encontrando Gilberto Gil no seu camarote Expresso 2222, na Barra.

OS – Pra terminar, uma pergunta profética: quando se dará o retorno triunfal de Sarajane? Quais os seus projetos futuros?
Sarajane –
Quando aparecer uma produtora que me contrate!

Confira abaixo vídeo clip "A Roda" (Fantástico, 1987)

 

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